bagagem profissional

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PACKING A SUITCASE – 1950s

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Uma semana de roupas em uma frasqueira? Agora você também pode!

Nesse filminho de treinamento da Shell, uma especialista te ensina a fazer sua própria mala, com roupas e produtos de higiene pessoal. E tudo em apenas quatro minutos!

Com bagagem de mão, menos é mais.

intervalo

Sessão Acapulco terá a regularidade dos posts acertada até o fim da semana.

Se o tédio for muito, muito forte, temos um monte de bichinhos fofos aqui.

holocausto for dummies

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SURVIVAL UNDER ATOMIC ATTACK – 1951

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Pequena obra com fatos valiosos sobre a bomba atômica:

- Uma explosão atômica tem três grandes riscos: a explosão, o calor e a radiação. O grande problema está nos dois primeiros. Como atestado no Japão em 1945, a população atingida pela radiatividade não costuma apresentar grandes problemas.

- O melhor jeito de se proteger de uma bomba nuclear é se enfiando debaixo de uma mesa guardada dentro de um porão.

- Ataques nucleares são grande momentos para a vida em família.

Assista com atenção.

ho-ho-horror

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SANTA CLAUS’ PUNCH AND JUDY – 1948

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Este cativante filminho natalino tem uns nove minutos. Um terço destes, dedicados a um Papai Noel com cara de transtornado distribuindo presentes. O resto é preenchido por um brutal teatrinho de marionetes montado pelo bom velhinho para a gurizada. Atenção especial para o modo como as crianças vão do tédio ao completo horror conforme o pau vai comendo solto entre os bonecos.

prevenindo pela psicodelia

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DRUGS ARE LIKE THAT – 1979

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Filminho psicodélico bem bacana. Extra bacana, se você levar em conta que foi feito para avisar a petizada do estrago causado pelos tóxicos.

O fio condutor são duas crianças disléxicas, um menino e uma menina, que montam lego enquanto conversam sobre o que seria o mundo das drogas.

Para garantir que os espectadores peguem a mensagem, o filme usa umas analogias descalibradas meio viajandonas. A trilha sonora é bem classe. A música do filme, “Drugs Are Like That“, é um sonzinho hippie esperto.

E tem o lego cadente que se transforma em drogas flutuando no éter. É difícil que qualquer coisa fique melhor que isso.

macacos sobre rodas

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ONE GOT FAT – 1963

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Uma jornada de nove quadras sobre bicicletas. Nove crianças-macaco do inferno. Uma sequência de acidentes tenebrosos. Um narrador didático. Um piquenique melancólico.

“One Got Fat” (1963) é isso aí: um filme de segurança ciclística para criancinhas. Parece que a idéia dos realizadores era fazer um lance meio cartunesco, lúdico e tal, mas acabaram descambando pra bizarrice pura.

A gurizada na sala de aula devia ficar transtornada quando esse negócio era exibido.

sociologia gore

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A NOITE DOS MORTOS VIVOS

(NIGHT OF THE LIVING DEAD – 1968)

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O bacana dos filmes de terror é que eles são um puta termômetro das coisas. O medo é um catalisador poderoso.

Pense na ressaca atômica dos anos 50 e 60, e a escola “ciência-que-deu-errado” de cinema fantástico, movida a monstros e mutações, faz todo sentido. A desconfiança com o poder destrutivo das novas tecnologias alimentava uma certa tensão geral, um medo difuso do átomo como ferramenta do estrago.

Não que o povo achasse que o grande problema da bomba atômica fossem os monstros da lagoa ou homens-mosca criados pela radiação. Vai ver, até achava. O ponto é que aquela tensão toda dava liga para que a platéia do cinema topasse o jogo, que a maioria entrasse na onda e se entendesse através de um medo comum.

É verdade que boa parte da cinematografia de horror dos 50 e 60 é formada por filmes vagabundos, sem muita preocupação reflexiva e tal. Mas, sabe como é, o espírito da época, quer queira quer não, fica lá estampado na obra.

Nesse sentido, talvez o primeiro grande diretor a ter a sacada e brincar de acordo com esses aspectos políticos do medo tenha sido George Romero, com A Noite dos Mortos Vivos (Night of The Living Dead, 1968).

Não sei se o amigo leitor já viu o filme. Caso não tenha visto, a história gira basicamente em torno de um monte de gente que, em boa parte desconhecida entre si, tenta sobreviver ao ataque de zumbis canibais.

Os mortos, radiativamente levantados pela explosão de uma sonda espacial na atmosfera, saem por aí mastigando os vivos, e só páram se têm o cérebro inutilizado. Como se a coisa já não fosse feia o suficiente, os sobreviventes contaminados pelas mordidas dos defuntos acabam virando zumbis também. Em meio a isso tudo, um pessoal acaba indo parar numa casa no meio do nada, se tranca, e tenta se entender sobre o que fazer. Até o pau comer solto.

Agora, a grande grande sacada é a seguinte: a partir do clichê “ciência do mal”, (fica pairando no filme a desconfiança do tal lixo espacial como uma possível bomba russa), Romero levanta uma segunda camada de paranóia.

A inquietação com os agitos políticos dos anos 60 e o aparecimento de uma nova multidão até então fora do radar, suspensa, é lindamente alegorizada nos zumbis. Naquela torrente de mortos ensandecidos, estampava-se esse “outro” (pacifistas contra o Vietnã, ativistas negros, feministas, hippies) que entrava na disputa pelo espaço público. E a parte do canibalismo infeccioso meio que ilustra as delicadas tentativas de entendimento entre essa ordem emergente e o status quo.

A coisa fica mais clara se a gente analisar os sobreviventes que se trancam na casa: uma garota em estado de choque, um trabalhador negro, uma família de classe média e um casal de jovens.

Pressionados pela ameaça do lado de fora, seus papéis vão se desenhando no que seria, na visão do Romero, um microcosmo da sociedade estadunidense da época: o trabalhador negro como um novo tipo de líder, a família de classe média algo suicida no seu egoísmo e apego ao conforto, a moça que, paralisada pelo choque da mudança, consegue ser pouco mais que massa de manobra. E o casal de jovens, aberto às novas possibilidades de trabalho e colaboração — mas à mercê da fagulha impulsiva da mocidade– como uma espécie de ponto de criação e instabilidade.

A beleza da coisa é que essa maquete social funciona muitíssimo bem no filme. A situação limite serve de vetor para que os vivos acabem se pegando, se tornando um risco tão grande para si mesmos quanto os zumbis. O mal estar maior, no fim das contas, vem desse lance meio hobbesiano claustrofóbico. Tá certo que o gore ajuda. Mas não é o motor do filme.

Rodado num orçamento nanico bancado pela própria equipe de produção, com uma pegada semi-documental, A Noite dos Mortos Vivos é, seguramente, um dos mais influentes clássicos do cinema. Além de ter recriado a mitologia zumbi para as décadas seguintes, a proposta de terror sociológico cru inventada por Romero seguiu permeando coisas de O Exorcista a Taxi Driver, do Massacre da Serra Elétrica a Cães de Aluguel.

Genial. E ponto.

bienvenidos!

Divirtam-se. É tudo de graça.